Rio de Janeiro cidade sem lei. Milicianos deixam seu recado.
Reportagem de capa do jornal Extra de domingo (13/12) mostra o grau de ousadia da milícia carioca. Segundo nota o recado se destina aos donos de vans que são obrigados a pagar uma taxa no valor de R$ 70,00 por dia nas regiões dominadas pelos grupos paramilitares do Rio. O valor se refere a uma taxa de seguro contra incêndio. Pura ironia, estão copiando o modelo das máfias japonesa e italiana que cobram por proteção contra eles próprios.
Tragédias a parte, é preciso ressaltar que no Rio de Janeiro existem três frentes de guerra: O tráfico, a polícia e os milicianos. Este último vêm sofrendo baixas no últimos anos. Em 2007 foram 24 prisões, em 2008 totalizou 78 elementos fora das ruas e em 2009, até o mês de novembro, já somam um total de 229 prisões. Mesmo com o isolamento de seus supostos comandantes, Natalino e Jerominho, que cumprem pena em uma prisão federal, os milicianos vem se articulando e dando continuidade em suas ações criminosas.
O tráfico também não fica de fora do combate ostensivo dos órgãos de segurança pública da capital. Com a implantação das unidades de Polícia Pacificadora, uma tentativa do Estado garantir voz ativa nas comunidades carentes, os confrontos tem diminuído consideravelmente. As últimas incursões bem sucedidas da PM em comunidades cariocas como as do Morro da Babilônia/Chapéu Mangueira, favela do Bartan e recentemente o Pavão-Pavãozinho em Ipanema tem enfraquecido cada vez mais o "movimento".
Da mesma forma em que o Governo corre para desarticular grupos paramilitares como a Liga da Justiça, outros surgem em igual proporção. É o caso do chamado Comando do Chico Bala, liderado pelo ex- Sargento da PM Francisco César Silva de Oliveira. Jornais noticiam que uma terceira facção de milicianos pode estar sendo formada.
Estudos do Núcleo de Pesquisa das Violências (Nupevi) da UERJ apontam que as milícias já dominam mais favelas do que o tráfico de drogas. Cerca de 41,5% das 965 favelas existentes em 2008 estavam sob o domínio de milicianos seguido de 40,8% dominadas pelo CV, 7,7% do ADA e 7 pelo Terceiro Comando. Apenas 3% das favelas não estão sobre o domínio do crime organizado. Em 2005 esses índices estavam distribuídos da seguinte forma: 50,1% para o CV e 11,2% para a milícia.
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segunda-feira, dezembro 14, 2009
terça-feira, abril 15, 2008
Como se já não bastasse, nada mais resta...
O governador Sérgio Cabral rejeitou ontem (14/04) a proposta da Alerj para legalização das milícias. Segundo ele, o policial aposentado deve ser utilizado em atividades nos batalhões, qualquer coisa diferente disso será vetado.
segunda-feira, abril 14, 2008
Onde a milícia quer chegar II???
É bom lembrar que o autor do projeto é suspeito de envolvimento com grupos armados na zona oeste do Rio. Já o relator da proposta, é Jorge Babu (PT), esse sim , ex-policial, citado em um relatório da corregedoria da Polícia Civil como suposto chefe de milícia também da Zona Oeste.
É necessário ver nesse momento aonde termina o poder da polícia e onde começa o poder das milícias. Em comunidades onde o poder público é ausente a simpatia por traficantes é algo notório, pois os mesmos prestam a assistência que o Estado nega. No entanto, no momento em que as milícias crescem, com suas políticas de cobrança de propinas e intimidação dos moradores, surge na população um certo repúdio, pois a presença das milícias representa uma extensão do Estado, Estado este tão ausente em suas políticas públicas. Se os moradores das comunidades carentes pudessem se manifestar, certamente prefeririam não ter nenhum poder de comando sobre eles, mas, como o Governo não está interessado em opiniões paralelas, e também não tem outra solução melhor para resolver o problema, ficamos a mercê daqueles que se aproveitam da situação para obter algum lucro, utilizando-se de recursos para beneficiar alguns, arquivando processos de outros, legalizando práticas ilícitas e até garantindo, porque não, um emprego quando terminarem seu mandato.
A proposta foi encaminhada ao Governador Sérgio Cabral.
Num futuro bem próximo, quando as milícias dominarem as favelas e comunidades do Rio o que as impedirá de cobrar por seus “serviços de segurança” aos comerciantes, donos de estabelecimentos, moradores dos condomínios, Shopping Centers e a todas as comunidades também “carentes” que residem no asfalto? O Estado aqui também é ausente, menos na Zona Sul, é claro.
É aquele velho ditado: Se não pode com eles…
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Sergio Cabral
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